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quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Arqueiro – Rumo ao vasto desconhecido [5:1]

Enquanto John e Dora se lamentam no quarto de hóspedes, Ludwell sai e vai até o lado de foa, a procura de Anne Marrie. Ele a vê sentada a alguns metros da fazenda, com a cabeça baixa e abraçando os joelhos. Ele senta ao lado dela, olhando para o céu cheio de estrelas.

Ludwell - Viajar é muito mais complicado do que você imagina menina. Se aventurar é algo muito perigoso.

Anne Marrie – Eu não me importo com isso! A vida é pra ser vivida! – Ela levanta a cabeça e começa a olhar para o céu também.

Ludwell – Nisso eu tenho que concordar com você.

Anne Marrie – Deixe-me ir com você, por favor! – Vira para ele, com o olhar sério.

Ludwell – Não posso. Você é um peso de responsabilidade o qual iria fazer eu me preocupar muito mais...

Anne Marrie – Você sabe que não sou uma dessas meninas frescas e choronas! –Diz em tom sério, como nunca tinha se pronunciado antes. – Eu não agüento mais ficar presa nessa cidade...

Ludwell – Eu já tenho que cuidar da minha sobrevivência. Quer você queira, quer não, mesmo com toda a sua força de vontade você é mais uma vida pra eu tomar conta. Eu não quero ser o responsável por uma tragédia, ainda mais de uma menina jovem que nem você.

Anne Marrie – Eu sou jovem mais tenho mais coragem do que muitos homens mais velhos, inclusive você!

Ludwell – Isso eu duvido!

Ele faz meia volta, parando bem de frente para Anne Marrie, olhando dentro de seus olhos, encarando-a como um gladiador encara um oponente na arena de batalha. A menina por sua vez não esperava essa reação, mas também fixa o olhar um pouco trêmulo nos olhos de Ludwell.

Ludwell – Está com medo?

Anne Marrie – Não. – Diz com uma voz suave, onde não faz perceber segurança nenhuma.

Ludwell – Pois é disso aqui a pior que você vai encontrar depois dos limites de Calminghan. – Ele vira para frente novamente e começa a andar – E o seu “não estou com medo” não me convenceu nem um pouco.

Anne Marrie – Eu estou com medo sim! Mas maior que o medo de encontrar os perigos lá fora é o meu medo de ficar presa nessa cidade pacata, sem ter mais nada o que fazer durante toda a minha vida.

Anne Marrie deixa descer algumas lágrimas de seu rosto. Ludwell olha pra trás e percebe que aquelas lágrimas são fruto de um sentimento puro, que brota diretamente do coração. Aquilo faz o arqueiro pensar em sua própria história. Aquela menina de certa forma lembra ele mesmo quando mais jovem. Então se vira para frente novamente, e continua caminhando.

Ludwell – Mesmo que eu quisesse te levar comigo, seus pais provavelmente não iriam permitir.
Anne Marrie – Nisso eu daria um jeito...

É quando caí a ficha da garota, que percebe que pela primeira vez ele cogita a possibilidade de levar ela consigo. Ela pára e olha para gente com os olhos esbugalhados, mas antes que pense em dizer algo...

Ludwell – Seria mesmo bom ter um ajudante durante a minha jornada. Além disso, uma pessoa com quem treinar não faria mal...

Anne Marrie fica parada por mais dois segundos e depois corre em disparada, pulando nas costas do arqueiro. Ela foi tão rápida e surpreendente que quando o mesmo percebeu, ela já estava caindo com ele no pasto.

Anne Marrie – Eu sabia que você não iria me deixar aqui! Eu vi nos seus olhos quando você olhou pra mim que você era diferente!

E começa a encher ele de beijos pela nuca, pescoço e bochechas. Depois larga ele de rompante e corre em direção à fazenda.

Anne Marrie – Vem logo! – Diz ela no meio do caminho olhando para traz, mas sem parar de correr. Ludwell começa a se levantar, ainda pensando o quanto a menina foi rápida para chegar até ele e se jogar em suas costas.

Ludwell – Tomara que eu não me arrependa do que eu estou fazendo...

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