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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Distorção – Em busca de respostas [6:1]

Adam ficou um tempo sentado sozinho no quarto. Estava se sentindo profundamente triste. A hipótese que Vitor lhe contou tinha tudo para ser verdadeira. A forma como ele encarava os fatos o incomodava. Ele era frio e calculista, ou pelo menos demonstrava isso. Mas que diferença fazia a personalidade dele, afinal, independente disso, fatos eram fatos.

As horas foram se passando e o dia já estava terminando. Apesar do clima de festa, Adam estava perdido em pensamentos. Seus pais já estavam arrumando as coisas para eles voltarem para casa, pois tinham que viajar a trabalho novamente no dia seguinte. As despedidas foram feitas e quando Adam estava entrando no carro, Vitor aparece e lhe entrega um papel com o número do seu celular e o novo endereço dele.

- Vamos marcar em breve outro fim de semana de festa Marta! - Exclamou Vânia ao longe, vendo o carro ir embora.
- Pode deixar! Assim que tivermos uma nova folga pode ter certeza que voltaremos. - Respondeu Marta ainda no clima da festa.

Enquanto voltava para casa com sua família, Adam pensava no encontro que logo logo ia ter com Vitor e nas perguntas que pretendia fazer para ele. Já não podia mais voltar atrás em relação aquela situação. Tinha que ir até o fim e descobrir toda a verdade.

O carro parou na casa de Vanessa e esta se despediu de Adam carinhosamente já marcando um encontro. Adam meio sem jeito, disse que ia escolher um dia depois. Após saírem da casa de sua namorada, Adam e sua família finalmente chegam em casa.

Depois de tomar um banho e comer alguma coisa, Adam se despede de seus pais e vai para seu quarto. Só os veria agora no próximo sábado, já que eles acordavam bem mais cedo para viajar para o trabalho.

No dia seguinte, já na faculdade, Adam conta os últimos acontecimentos para Guilherme e também fala para ele sobre Vitor.

- Cara, isso parece até história de filme! - Responde Guilherme empolgado.
- Você acha é? - Pergunta Adam meio desanimado.
- Claro que sim. Quando é que você vai encontrar com ele?
- Provavelmente hoje de tarde. Ele está realmente envolvido com o trabalho.
- Posso ir com você até lá? - Pergunta Guilherme ansioso.
- Pode, acho que não vai ter problema.
- Então pronto. Assim que ele te chamar me avisa.
- Pode deixar.
- A propósito Adam, converse com o professor sobre a prova de sexta. Parece que ele vai abrir uma exceção para todas as pessoas de todas as turmas dele que perderam a prova e vai fazer outra essa semana ainda.
- Sério? Vou falar com ele agora...

Assim que chega da faculdade, Adam recebe um telefonema de Vitor.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Arqueiro – Rumo ao vasto desconhecido [5:1]

Enquanto John e Dora se lamentam no quarto de hóspedes, Ludwell sai e vai até o lado de foa, a procura de Anne Marrie. Ele a vê sentada a alguns metros da fazenda, com a cabeça baixa e abraçando os joelhos. Ele senta ao lado dela, olhando para o céu cheio de estrelas.

Ludwell - Viajar é muito mais complicado do que você imagina menina. Se aventurar é algo muito perigoso.

Anne Marrie – Eu não me importo com isso! A vida é pra ser vivida! – Ela levanta a cabeça e começa a olhar para o céu também.

Ludwell – Nisso eu tenho que concordar com você.

Anne Marrie – Deixe-me ir com você, por favor! – Vira para ele, com o olhar sério.

Ludwell – Não posso. Você é um peso de responsabilidade o qual iria fazer eu me preocupar muito mais...

Anne Marrie – Você sabe que não sou uma dessas meninas frescas e choronas! –Diz em tom sério, como nunca tinha se pronunciado antes. – Eu não agüento mais ficar presa nessa cidade...

Ludwell – Eu já tenho que cuidar da minha sobrevivência. Quer você queira, quer não, mesmo com toda a sua força de vontade você é mais uma vida pra eu tomar conta. Eu não quero ser o responsável por uma tragédia, ainda mais de uma menina jovem que nem você.

Anne Marrie – Eu sou jovem mais tenho mais coragem do que muitos homens mais velhos, inclusive você!

Ludwell – Isso eu duvido!

Ele faz meia volta, parando bem de frente para Anne Marrie, olhando dentro de seus olhos, encarando-a como um gladiador encara um oponente na arena de batalha. A menina por sua vez não esperava essa reação, mas também fixa o olhar um pouco trêmulo nos olhos de Ludwell.

Ludwell – Está com medo?

Anne Marrie – Não. – Diz com uma voz suave, onde não faz perceber segurança nenhuma.

Ludwell – Pois é disso aqui a pior que você vai encontrar depois dos limites de Calminghan. – Ele vira para frente novamente e começa a andar – E o seu “não estou com medo” não me convenceu nem um pouco.

Anne Marrie – Eu estou com medo sim! Mas maior que o medo de encontrar os perigos lá fora é o meu medo de ficar presa nessa cidade pacata, sem ter mais nada o que fazer durante toda a minha vida.

Anne Marrie deixa descer algumas lágrimas de seu rosto. Ludwell olha pra trás e percebe que aquelas lágrimas são fruto de um sentimento puro, que brota diretamente do coração. Aquilo faz o arqueiro pensar em sua própria história. Aquela menina de certa forma lembra ele mesmo quando mais jovem. Então se vira para frente novamente, e continua caminhando.

Ludwell – Mesmo que eu quisesse te levar comigo, seus pais provavelmente não iriam permitir.
Anne Marrie – Nisso eu daria um jeito...

É quando caí a ficha da garota, que percebe que pela primeira vez ele cogita a possibilidade de levar ela consigo. Ela pára e olha para gente com os olhos esbugalhados, mas antes que pense em dizer algo...

Ludwell – Seria mesmo bom ter um ajudante durante a minha jornada. Além disso, uma pessoa com quem treinar não faria mal...

Anne Marrie fica parada por mais dois segundos e depois corre em disparada, pulando nas costas do arqueiro. Ela foi tão rápida e surpreendente que quando o mesmo percebeu, ela já estava caindo com ele no pasto.

Anne Marrie – Eu sabia que você não iria me deixar aqui! Eu vi nos seus olhos quando você olhou pra mim que você era diferente!

E começa a encher ele de beijos pela nuca, pescoço e bochechas. Depois larga ele de rompante e corre em direção à fazenda.

Anne Marrie – Vem logo! – Diz ela no meio do caminho olhando para traz, mas sem parar de correr. Ludwell começa a se levantar, ainda pensando o quanto a menina foi rápida para chegar até ele e se jogar em suas costas.

Ludwell – Tomara que eu não me arrependa do que eu estou fazendo...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ás de Ouros - Capítulo 8 [8]

– Vocês viram como a polícia tratou de chegar logo no local e com uma grande equipe de investigação? – falava Katarina Glock em tom de denúncia. – Eles chamaram a melhor equipe de detetives para investigar o caso. Por que? Ora, meu povo, por que o crime ocorreu na terra dos riquinhos! Não foi aí no seu bairro onde...

Carlos desligou a televisão e se virou para os demais que estavam sentados na sala de reunião.

Edson estava espojado em uma cadeira no fundo da sala mordendo o fundo de um lápis, Silvia estava na frente, costumeiramente, mascando chiclete, Luís Fernando estava no lado oposto a Silvia, próximo a porta. Carlos estava em pé na frente de uma louça e segurando uma caneta.

– Então é isso: não temos nenhum suspeito em um homicídio em que a mídia vai pegar no nosso pé para obter informações.

– Foi tudo muito limpo – comentou Silvia.

– Não existe “foi tudo muito limpo”.

– Você entendeu o que eu quis dizer – rebateu Silvia. – Essas fotos da cena do crime não vão nos dizer até que nós possamos entender o que estava acontecendo com Otávio. Até que possamos começar a ouvir as pessoas. Antes disso nós só podemos fazer deduções e inferências a partir de nossas próprias pesquisas em contas bancárias e coisas do tipo.

– Isso significa que nós já temos um ponto de partida ­– argumentou Carlos de forma conclusiva.

– Parece que enquanto não nós interrogarmos nenhum membro da família estaremos apenas brincando de detetives ­– comentou Edson, balançando os pés apoiados em uma cadeira.

– Então por que não fazemos desse o nosso ponto de partida? ­– perguntou Luís Fernando.

– Um caso como esse requer um cuidado especial – respondeu Carlos. – A imprensa estará acompanhando todos os nossos passos. Precisaremos dar algumas respostas a eles o quanto antes para que eles possam ficar repetindo essa mesma coisa durante algum tempo. Vamos interrogar os familiares e amigos após o enterro das vítimas, o que eu acredito que será realizado amanhã a tarde.

– Podemos começar entrevistando os familiares do segurança assassinado então ­– sugeriu Luís Fernando, visivelmente tentando encontrar uma solução fácil.

– Não temos nenhuma razão para suspeitar do envolvimento do segurança. Ele foi morto de uma maneira que não aparenta ter feito qualquer contato visual com o assassino, facilitando a sua entrada ou algo assim.

– Então o segurança do condomínio? ­– Luís Fernando insistia.

– Já sabemos o que vamos ouvir dele. Ele vai dizer que não viu nada, que estava atento o tempo todo... aquele velho blá blá blá.

– É óbvio que em um caso como esse o assassino planejou a sua entrada no condomínio sem ser notado – Edson falava como se tivesse ensinando algo a Luís Fernando.

Carlos parou e pensou por um instante.

– Na verdade, Luís Fernando, eu gostei de sua sugestão.

Todos se espantaram ao ver Carlos consentir com uma ideia que pareceu óbvia de mais.

– Interrogar o porteiro do condomínio será um ótimo alimento para a imprensa. E como Edson falou, esse assassino planejou a sua entrada com bastante cautela. O que significa que ele já havia entrado no condomínio antes – Carlos apontou para Edson com a caneta em sua mão. – Edson, eu quero que você descubra que tipos de serviços Otávio Gusmão e sua esposa solicitaram nos útlimos seis meses. Seja bombeiro, encanador, jardineiro, qualquer coisa – agora ele apontava para Luís Fernando. – E você ficará responsável por interrogar o porteiro do condomínio.

– Eí, não podemos esquecer das mensagens bizarras na parede e esse tal de Ás de Ouros! – advertia Silvia.

Nesse instante, Marcone entrou na sala com cara de cansado.

– Desculpem o atraso – falou enquanto se sentava. – Perdi o horário e acabei pegando... – não conseguiu segurar um bocejo – um engarrafamento infernal – e parecendo que havia tomado noção da situação. – E por que essa discussão inicial está sendo aqui mesmo?

– Por que tem alguém querendo se promover – Carlos falava segurando a caneta com a mão esquerda e batendo ela na mão direita, apontando para o lado de fora da sala, na direção de César Barbosa.

César Barborsa era um homem careca, já com os seus 55 anos, mas aparentando ter um pouco mais. Sua voz era rouca, por conta do cigarro e tinha uma barriga avantajada que todos sabiam ser culpa da cerveja, apesar dele sempre dizer que era por conta de um problema na tireóide. César era o delegado chefe da Delegacia de Homicídios e todos sabiam que ele sempre tentava ao máximo se promover. Ele costumava sorrir para todos, mas era um sorriso que não inspirava confiança em ninguém. Todos já haviam escutado casos de César prejudicando qualquer funcionário de alguma maneira que o beneficiasse apenas a ele mesmo. César estava andando na direção da sala, mas nenhum dos presentes na sala de reunião disfarçou para olhar quando Carlos, discretamente, apontou para ele.

­– Então isso significa que as investigações serão feitas apenas por nós aqui?

Oficialmente, não – respondeu Carlos, de maneira seca.

Marcone assentiu a cabeça, indicando que havia entendido as palavras de Carlos.

No instante em que Marcone repousou as suas coisas sobre a mesa, César entrou na sala.

– E o que temos até agora, grande Agente Carlos Almeida? – César falava com o seu tom amigável de sempre.

Marcone não conseguiu disfarçar um sorriso.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lacius - O Que é Real [7:1]

- Minha cabeça dói. - disse Lúcio ao acordar.
- Que bom que acordou, amor. - disse Jaqueline, segurando com força a mão do namorado. - Que bom que está bem! - continuou, limpando com o braço os olhos molhados.
- O que aconteceu? - perguntou Lúcio, acariciando a mão de Jaqui.
- Você desmaiou, cara. Te trouxemos para cá. - falou Esteves, aos pés da cama onde Lúcio estava.

Lúcio olhou ao redor e viu o quarto do hospital onde tinha estado no dia anterior. Na porta do quarto, Bárbara, a mãe de Jaqueline, estava ao telefone.

- Cara, que bom que está bem! - falou Esteves, encarando-o e fazendo-o voltar a atenção ao amigo. - Ficamos preocupados.

Bárbara desligou o telefone e caminhou em direção à cama.

- Que bom que acordou, querido. Estava falando com sua mãe. Ela já está vindo para cá. Como está se sentindo?
- Ainda me sinto um pouco estranho. Mas nada comparado ao que passei ontem.

Todos fizeram uma cara de espanto, como se não compreendessem sobre o que Lúcio estava falando.
Lúcio  não gostou nada daquela reação. Mal estava se recuperando do incidente no lago do dia anterior e já havia passado por outras situações complicadas naquele dia. - Por que será que fizeram esta cara de espanto - pensou Lúcio.

- A que se refere, Lúcio? - perguntou o doutor que cuidara dele no dia anterior. - Estes desmaios já vêm acontecendo com freqüência?
- Não, doutor. Me referia ao que aconteceu no lago ontem. Aos sonhos que estava tendo antes de...
- Lago? Sonhos? - o doutor o interrompeu. - Está tendo pesadelos ultimamente? Pedirei ao psicólogo que o atenda em instantes.
- Eu já o visitei ontem. Dr. Edgar e eu tivemos uma longa conversa. Ele me ajudou com os meus sonhos...
- Dr. Edgar? Não temos nenhum Edgar em nossa equipe. O Dr. César é o nosso psicólogo. Você tem...

Neste momento, Mônica apareceu na porta do quarto, interrompendo o diálogo entre os dois. Ela então correu em direção ao filho.

- Graças a Deus!!! - Mônica o apertava com força. - Você está bem, meu amor?
- Sim, mãe. Estou bem. Só estou com uma dor de cabeça estranha. Está tudo meio embaralhado em minha cabeça.

Mônica, preocupada, pede detalhes ao médico sobre o que aconteceu, mas lembra-se que esquecera totalmente de cumprimentar as pessoas da sala quando adentrou nela.

- Oh, desculpem a minha falta de educação, gente. Estava tão preocupada que esqueci os bons modos.
- Não se preocupe - disse Bárbara - Entendo perfeitamente a sua preocupação. Também estava muito preocupada.
- Bem, Srª Mônica, - iniciou o doutor - seu filho teve um desmaio por causa do baixo nível de açúcar no sangue. Provavelmente não deve ter se alimentado direito.
- E quando ele pode ir para casa, doutor? 
- Agora mesmo. Só preciso assinar o prontuário, liberando-o. Marcaremos depois uma consulta com Dr. César. Acabaram de me avisar que ele já foi embora.

. . .

Lúcio estava achando aquilo tudo estranho. Ao chegar em casa, subiu direto para o quarto, pegou o telefone e ligou para Esteves. Precisava saber o que era tudo aquilo? Ele não podia estar louco. Será que tudo aquilo não passou de um sonho? - pensava Lúcio.

O telefone chamou uma vez e logo uma voz do outro lado da linha falou:

- Esteja em 10 minutos no clubinho.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Arqueiro - Fazenda Farmship [4:3]


Surge uma criatura por baixo do seu lençol, rastejando rapidamente em sua direção. Pensa de início que poderia ser uma cobra, mas percebe que passam mãos por sua perna. Então ele levanta o lençol preparado para acertar a cabeça da pessoa, quando percebe a situação.

Ludwell – Você?

Anne Marrie – Eu mesma.

Ludwell – Afinal, o que é que você quer aqui?

Anne Marrie – Você não sabe?

Ludwell – Você é bem danadinha pra sua idade, não é?

Nesse momento, Anne Marrie vai se aproximando lentamente de Ludwell, até ficar face a face com o arqueiro, a poucos centímetros de distância de seu rosto.

Anne Marrie – Vai me dizer que você não quer também... – diz com uma voz sensual e um olhar sedutor.

Ludwell – Até seria bom, mas...

Nesse momento, Ludwell a pega pelo braço e a joga para longe, fazendo-a chegar até o pé da cama.

Ludwell – Não com você. Você é apenas uma criança. Além do mais, é bem doida.

Anne Marrie – Apenas uma criança? – Fala depois de se ajeitar na cama e fazer cara de revoltada, bradando aos quatro ventos. Depois põe a mão na boca, percebendo que não deveria ter falado alto, pois acabaria acordando as pessoas na casa.

Ludwell – É, uma criança. Além de ser nova, é imatura, irresponsável e impulsiva.

Ouvem-se passos apressados em direção ao quarto. São o Sr. e Sra. Farmship que chegam assustados até a porta do cômodo, e veem sua filha na cama do forasteiro.

John Farmship – Mas o que é que está acontecendo aqui?

Dora Farmship – O que é isso mocinha? Você ficou louca de vez agora?

Anne Marrie – Ele é um pervertido mamãe! Me atacou e eu... eu estava lutando com ele quando...

Dora Farmship – Me poupe das suas desculpas esfarrapadas! Ele atacou você dormindo, no quarto dele? E eu ouvi o seu berro estrondoso quando ele provavelmente te chamou de criança... Pois é isso mesmo que você é! Uma criança! Uma menininha mimada e rebelde!

John Farmship – Você não tem vergonha mesmo menina! Merece é uma bela surra!

Anne Marrie – Eu odeio isso aqui! – Saí de rompante em disparada para fora de casa, passando entre seus pais com rapidez e força.

Dora Farmship – Volte aqui sua malcriada!

John Farmship – Ahhh... deixe-a Dora... – Respira fundo, e se senta na cama do forasteiro, com as duas mãos ao rosto, se lamentando.

Dora Farmship – Onde foi que erramos John... – Começam a cair levemente lágrimas de seu rosto, e fica aparente o semblante de tristeza.

John Farmship – Em nada Dora. Nós não erramos na educação, nem na nossa obrigação como pais... É apenas o jeito aventureiro dela que a faz agir por impulso, sem pensar nas consequências. Ela está desesperada para sair dessa cidade.

Por um momento, todos ficam calados no quarto, com um olhar vago e perdido para frente. Isso faz Ludwell pensar em toda a sua viagem até agora, e ponderar novas possibilidades para o futuro da sua jornada.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ás de Ouros - Capítulo 7 [7]

Uma dúzia de repórteres se encontrava em frente ao portão de entrada da residência da família Gusmão. Alguns policiais continham os repórteres mais eufóricos para que eles não cruzassem as faixas de Não ultrapasse.

Carlos estava parado na porta da mansão. Ele realemente não estava no clima para entrevistas. Principalmente, às duas horas da madrugada. Ele conseguia escutar perguntas direcionadas a ele, apesar de não se concentrar em entedê-las, e flashes mirando o seu rosto.

– Parece que vamos aparecer na televisão – comentou Edson ajeitando o cabelo.

Marcone e Carlos lançaram um olhar de censura para ele.

– O que foi? Já que não tem outro jeito, então é melhor eu estar arrumado quando forem me filmar ­– argumentou Edson.

Luís Fernando também estava tentando conter a multidão de jornalistas, até que avistou os companheiros de trabalho e foi na direção deles.

– Quem deixou os abutres entrarem? – perguntou Carlos ríspidamente, antes mesmo de Luís Fernando se aproximar.

– Eu não vi o momento em que eles entraram. Estava me limpando – respondeu Luís Fernando mostrando que a camisa que ele vestia estava molhada. – O jovem que veio junto com o filho de Otávio vomitou em cima de mim. Agora ele está ali deitado – e apontou para um banco no jardim no qual Lucas estava deitado.

Carlos nem ao menos virou o rosto.

– Mas como os jornalistas entraram? ­– insistiu Carlos, ignorando o argumento de Luís Fernando.

– Parece que alguns deles se passaram por moradores, aí outros foram entrando até que a coisa perdeu o controle.

Carlos olhou para a entrada da residência cercada de repórteres. Ele sabia que teria que passar por ali para chegar até o seu carro. Então ele simplesmente respirou fundo e fio andando a passos apressados, seguido pelos outros três agentes.

– Edson, você vai na frente – chamou Carlos, sabendo que essa talvez fosse a melhor opção de fuga, já que Edson certamente iria querer ser entrevistado.

Edson se apressou para ir na frente deles.

– E cuidado com o que fala – advertiu Carlos.

Os quatro alcançaram o portão de entrada e a enxurrada de perguntas vindas de todos lados começou:

– Otávio Gusmão realmente foi esquartejado?

– O que foi roubado da mansão?

– Foi um crime político?

– Solange matou mesmo Otávio Gusmão?

Os agentes passaram pelos jornalistas sem responder as perguntas, exceto por Edson que ocasionalmente parava para confirmar ou desmentir algum boato.

Estrategicamente posicionada no final do corredor polonês feito pelos jornalistas, estava a repórter Katarina Glock, conhecida por ser a primeira a aparecer em todas as cenas de crime e divulgar as notícias em seu programa de televisão matianl com um sensacionalismo acima do normal.

Ao avistá-la, Carlos tentou se esquivar, mas era tader de mais. Ela já estava parada posicionada de frente para ele.

– Como está a situação lá dentro, Detetive Almeida?

Carlos hesitou alguns instantes para responder e de repente milhares microfones o cercaram.

– Nós estamos mantendo a situação sob controle. Otávio e Solange Gusmão foram vítimas de um homicídio brutal. Ainda não podemos comentar sobre suspeitos. Faremos o possível para dar todo o suporte à família deles, além da família do segurança que também foi assassinado. Vocês receberão mais informações em breve.

Após responder a pergunta de maneira padrão, Carlos se apressou a sair do círculo de repórteres e entrar em seu carro.

Katarina se virou para a câmera.

– Todas as informações sobre esse terrível crime ocorrido na terra dos ricos vocês acompanham comigo no A Hora do Povo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lacius - Dentro do livro [6:3]

Lúcio abria os olhos lentamente, tentando enxergar ao seu redor. A luz era muito forte que dificultava a sua visão. Aos poucos, o ambiente alvo foi dando lugar a uma paisagem campestre, onde uma cidadezinha interiorana se mostrava gradativamente. O local ainda estava um pouco úmido do orvalho noturno e o cheiro da grama molhada o fazia lembrar da sua infância.

Ao longe, Lúcio avistou algumas pessoas sentadas em círculo sobre a grama. Apesar de não estar reconhecendo nenhuma delas, ele resolveu ir falar com elas.

Ao se aproximar, ele percebeu que algum tipo de culto estava acontecendo naquele lugar. Havia uma senhora no meio do círculo composto por jovens (crianças, em sua maioria). Ela estavas com o joelho e a testa sobre o chão e suas mãos seguravam o caule de uma pequena planta que4 irradiava um brilho dourado.

Lúcio fez menção de falar, mas uma voz que ele não sabia ao certo de onde vinha falou: Sente-se, Lúcio.

Apesar de saber que árvores não falam, Lúcio podia jurar que a voz vinha de lá e que esta pequena planta, que crescia a cada segundo, estava olhando para ele.

O círculo se abriu para que ele sentasse e este foi em direção ao centro. Ele sentiu sua cabeça encostar no chão quando de repente abriu os olhos. Uma enorme árvore estava em sua frente. Suas mãos estavam em torno do tronco que emitia uma luz muito forte. Enquanto segurava a árvore, a mesma voz foi ouvida novamente:

- Lúcio, sempre proteja a natureza, custe o que custar...

E a voz da árvore foi subitamente interrompida com um grito de dor provocado pelo machado que atravessara seu grosso caule. O sangue agora escorria pelas mãos de Lúcio que não estava mais entendendo o que ocorria.

Uma multidão carregando tochas, serras, machados e outros instrumentos destrutivos se aproximava da região, exterminando todas as plantas do local.

Lúcio tentou fugir, mas o céu escureceu e ele de repente parou. Parecia não haver mais chão sob os seus pés. Ele agora flutuava em meio ao espaço. As únicas luzes visíveis eram pontos distantes emitidos por estrelas que formavam uma constelação em formato de uma árvore.

As luzes chegavam cada vez mais perto, assim como uma voz grave que falava: "Custe o que custar, Lúcio".

Um senhor então apareceu dentre a luz, caminhando lentamente em sua direção.

- Não tema. Não o machucarei. - disse ele enquanto se aproximava de Lúcio.
-Quem é você? - perguntou Lúcio, assustado.
- Um amigo - respondeu ele -. Um amigo que te mostrará a verdade. - completou.

E dizendo isso, fez Lúcio olhar em direção à Terra. Ele a estava vendo de cima. Podia agora ver todas as nações. Em todo lugar que olhava via destruição. Todo o planeta estava se destruindo. Guerras, queimadas, matanças, poluição. O mundo havia virado um caos. Desastres naturais aconteciam com freqüência. Terremotos, maremotos, enchentes, furacões eram algumas das várias maneiras que o planeta usava para responder à destruição que o homem havia causado.

- Custe o que custar! - repetiu o velho senhor.

A raiva e o ódio cresciam dentro de Lúcio ao olhar aquelas cenas.

- O que eu posso fazer para por um fim nisso? - perguntou ele.
- Venha comigo - disse o senhor de barbas longas e brancas, estendendo a mão - . Lutaremos juntos e poremos um fim nisso tudo!
- Não, Lúcio! - Uma outra voz surgiu, junto com um clarão que o cegou momentaneamente -. Acorde!

E assim, Lúcio acordou em um lugar que ele achava familiar. Com a visão ainda turva, percebeu que havia voltado ao hospital, onde estivera no dia anterior.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Distorção - Contato [5:3]

Após ouvir tudo que Adam lhe contou, Vitor o encara com um leve sorriso no rosto.

- Então minhas suspeitas estavam certas. Só pode ser você! - Exclamou Vitor ansioso. - Venha comigo Adam, tenho uma coisa para te amostrar.

Vitor levou Adam até o quarto que dividia com os seus primos e abriu uma de suas mochilas. Para surpresa de Adam, nas mãos de Vitor se encontrava o famoso livro antigo denominado de “Distorção” pelos antigos estudiosos assassinados.

- Como é possível você ter esse livro em mãos? - Perguntou Adam assustado.
- Isso eu não posso te responder, pelo menos não agora. - Respondeu Vitor quase sussurrando. - Sente-se Adam, eu tenho algumas coisas para te contar.

Adam olhava fixamente para Vitor após se sentar. Ainda não acreditava como sua vida vinha mudando a cada dia que passava.

- Eu venho com o passar do tempo restaurando algumas partes desse misterioso livro que foi encontrado há alguns anos atrás. Aos poucos estou conseguindo decifrar muitas coisas. Se você me perguntar quem o escreveu ou de onde ele veio, eu não sei. Eu tenho minhas suposições, mas ainda não confirmei nada. Em uma determinada parte desse livro fala sobre um humano que tem um poder especial capaz de ver além da realidade aparente. Aqui conta que uma possível distorção no tempo e espaço o originou nesse mundo. Ele é referido nas páginas desse livro como Adão, aquele que deu origem aos seus similares.
- O que isso quer dizer? - Perguntou Adam meio confuso.
- Pode ser besteira de minha parte, mas se juntarmos o que você me contou com essa parte do livro, chego à inusitada conclusão de que esse Adão é você Adam.
- Por que isso?
- Pra começo de conversa o seu nome significa Adão em francês, que no hebraico significa terra, o homem criado da terra, o primeiro. Sei que tudo isso é muito estranho, mas tudo que foi descoberto nesse mundo partiu de hipóteses e essa é a minha em relação a isso. Estou secretamente tentando desvendar o conteúdo desse livro, pois temo que algo catastrófico esteja para acontecer. E que a resposta para evitar tudo isso esteja nessas páginas. Seres não-humanos possivelmente estão habitando o nosso mundo, pois o modo que o livro retrata algumas coisas é diferente do nosso modo de enxergar e falar. Confesso que estou um tanto feliz em ter te encontrado, graças a isso consegui avançar um pouco mais em minhas pesquisas.
- Cara, você imagina como eu estou me sentindo agora? Se suas hipóteses forem mesmo verdadeiras eu também não sou desse mundo! - Afirmou Adam confuso.
- Não vamos nos precipitar. Eu estou fazendo o meu melhor. E saiba que nada está confirmado ainda.
- Você sabia que os estudiosos que estavam decifrando esse livro morreram? - Perguntou Adam nervoso.
- Sim. Mas a vida é um jogo de riscos. - Respondeu pacificamente Vitor. - Continuamos nossa conversa em breve, até porque já devem ter dado falta da gente. Darei um jeito de te encontrar em outro dia para continuarmos com mais calma a nossa conversa. Por hora, vamos aproveitar esse dia tão especial em família, afinal não acontece sempre.