Subscribe Twitter

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Arqueiro - Fazenda Farmship [4:2]

Anne Marrie então leva Ludwell até o quarto de hóspedes. Ela vai na frente, apresada para abrir logo a porta do cômodo que irá abrigar o forasteiro que chamara tanto a atenção dela.

Anne Marrie - Eis aqui seus aposentos, alteza!

Ela fala de um jeito brincalhão, curvando-se em direção a Ludwell.

Ludwell - Está bem. Obrigado.

Anne Marrie - Nossa, nem pra dormir você relaxa? Tem que ser sempre tão sério?

Ludwell - Eu relaxo pra dormir... o suficiente. E eu sou sério.

Anne Marrie - Não está mais aqui quem falou!

Ela vai até a porta e sai do quarto, mas volta e fica encostada no vão.

Anne Marrie - Eu até fui com sua cara, mesmo você sendo meio estranho... Boa noite Ludwell.

Ludwell - Boa noite.

E então, Anne Marrie se dirige ao seu quarto, ao mesmo passo em que o Sr. Farmship vai até o quarto de Ludwell.

John Farmship - Está confortável, filho?

Ludwell - Sim. Obrigado.

John Farmship - Descanse bastante, pois hoje foi um longo dia.

Ludwell - Está bem.

John Farmship - Boa noite, forasteiro.

Ludwell - Boa noite.

E então, todos vão se deitar para ter uma tranqüila noite de sono, aparentemente. Ludwell ainda fica pensando na hospitalidade dos Farmship. Não esperava encontrar pessoas tão generosas durante a sua jornada.

No meio da noite, Ludwell acorda com o som de passos pela casa. Pensa em se levantar, mas rapidamente decide continuar deitado fingindo que ainda está dormindo, para poder ter certeza de que era uma ameaça ou apenas algum morador da casa que estava vagando pela noite, a procura de algo para comer. O som vai diminuindo, como se não houvesse nada demais.

Eis que de repente, se abre a porta de seu quarto vagarosamente. ele ainda fica deitado, para utilizar o fator surpresa. Mas na realidade, ele acabou surpreendido.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ás de Ouros - Capítulo 6 [6]

No escritório, Edson e Silvia ainda discutiam sobre o quão empolgante este caso pode ser.

– Até Carlos, que não costuma se empolgar com nenhum caso, admitiu que essa é a investigação mais excitante da vida dele! – exagerou Edson.

– Ele não disse nada parecido com isso! – argumentou Silvia.

E a discussão prosseguia.

Carlos ouviu o seu nome ser mencionado, mas não queria entrar na conversa e foi direto para Marcone, que agora examinava de perto a escrita em sangue na parede.

– Encontrou mais alguma coisa que possa nos ajudar? ­– perguntou Carlos, sem muita esperança.

– Não – respondeu Marcone. – está tudo muito limpo. Como se fosse tudo friamente calculado.

– Você sabe que eu não acredito em “tudo friamente calculado”.

– É, você sabe o que eu quis dizer...

– Esse assassino deixou passar alguma. Ele teve que improvisar algo. Nem que seja na hora de arquitetar o crime.

– Pelo menos aqui, eu acredito que nós não vamos encontrar mais nada que possa ajudar.

– Então, está na hora de irmos. Não vamos conseguir fazer mais nada cansados e com sono.

Carlos virou-se para Silvia.

– Silvia, você já coletou tudo o que precisa?

– Sim, senhor – respondeu Silvia, batendo em sua sacola.

– Perfeito – Carlos fazia um legal com a mão para perita. – Agora eu gostaria que você tirasse fotos de todo o escritório, não apenas das partes mais relevantes ­– pediu Carlos. – E, por favor, dê um destaque maior à estante de livros.

– Perfeito – agora Silvia consentia também fazendo um legal com a mão.

Carlos saiu do escritório, seguido por Edson e Marcone, enquanto Silvia começava a bater as fotos que Carlos havia solicitado.

Na sala, havia dois policiais conversando na porta de entrada e Olavo estava sentado no sofá chorando. Carlos se aproximou dele.

– Sr. Olavo, essa é a minha equipe e nós já fizemos tudo o que podia ser feito aqui. Colhemos provas e informações para nos ajudar a resolver o caso. Agora partiremos para as investigações internas. Acredito que em breve descobriremos o culpado para que a sua família possa ter a justiça que merece.

– Justiça? – questionou Olavo. – Nenhuma justiça trará o meu irmão de volta.

– Nós sabemos disso. Mas acredite, prendermos o assassino fará você e sua família se sentirem melhor.

Carlos não esperou alguma resposta de Olavo e foi em direção a porta. Assim que ele saiu da casa, ele parou e fez um muxoxo.

– Só me faltava essa...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Lacius - Dentro do livro [6:2]

Durante algum tempo, Lúcio ficou pensando naquela frase. Parecia que o livro estava falando diretamente com ele. Será que é minha responsabilidade? - Pensou ele, lembrando-se da conversa que tivera com o psicólogo.

Voltando então a sua atenção ao livro, percebeu que havia terminado de ler o primeiro capítulo. Passou a página para continuar a leitura mas parou de repente.

Os outros dois, interessados em ouvir o restante da história, reclamavam:

- Por que parou? - interrogou Esteves.
- Vamos, amor. Continue! - implorou Jaqueline.
- Não posso. Não consigo ler o restante das páginas. - disse Lúcio, folheando o resto do livro - Parece que está escrito em códigos.

O capítulo que se seguia parecia estar escrito de maneira diferente, de uma forma que Lúcio não mais conseguia entender. Quando ele tentava forçar a visão de modo a desvendar a escrita, a sua dor de cabeça aumentava.

Lúcio passou então o livro para a namorada que, juntamente com Esteves, se debruçaram sobre ele, tentando ler os textos.

Após muito folhear o livro, Esteves concluiu que o padrão de escrita havia realmente mudado do primeiro para o segundo capítulo. Os novos símbolos eram muito distintos dos antigos, e assim como estes, não faziam o menor sentido para ele.

Estranhamente, a temperatura da sala foi aumentando enquanto Jaqueline estava "queimando" os neurônios, tentando decifrar aquela nova escrita. O abafamento do local já estava incomodando Esteves, que agora andava de um lado para outro da sala, imaginando as possibilidades de combinações de símbolos para resolver aquele enígma.

Os dois amigos de Lúcio estavam tão concentrados em resolver aquela questão que nem se deram conta de que ele estava mal. Sua dor de cabeça estava insuportável. Sua visão turva estava escurecendo e ele parecia estar queimando em febre.

Foi quando um "baque" fez os outros dois prestarem atenção novamente em Lúcio. Este agora estava no chão, desacordado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Distorção - Contato [5:2]

Enquanto comia a lasanha especial de sua tia, Adam pensava em como poderia pedir ajuda a Vitor. A princípio decidiu conhecer ele mais um pouco, até porque não sabia ao certo o que ele acharia da sua história.

- Nossa! Não sabia que essa lasanha era tão boa! - Exclamou Vitor colocando mais um pedaço generoso no prato.

Adam constatou que ele não era nada tímido. Sabia se relacionar em público e não se importava com as opiniões alheias. E se o que seus primos falaram de sua vida profissional realmente fosse verdade, ele era uma pessoa muito inteligente. Muitas perguntas rondavam a cabeça de Adam sobre os últimos acontecimentos. Precisava organizar as idéias e montar uma estratégia para se aproximar de Vitor sem chamar a atenção dos seus primos e dos outros.

- Está ótima a lasanha de sua tia não é mesmo amor? - Perguntou Vanessa terminando de comer uma porção caprichada.
- Oi? - Perguntou Adam imerso em pensamentos.
- Está com algum problema?
- Não, só estava pensando em algumas coisas.

A festa se prolongou até altas horas da madrugada. Depois da lasanha, teve muita conversa jogada fora, muitas bebidas e mais tarde ainda teve um churrasco. Adam passou a maior parte do tempo com Vanessa, preferiu deixar pra conversar mais com seus primos no dia seguinte, afinal, tinha que curtir um pouco a volta com sua namorada que não via há quase um ano.

No dia seguinte, ou melhor, algumas horas depois da festa, Adam viu Vitor conversando com seu pai. Percebeu que a conversa já estava no fim e logo foi se aproximando.

- Posso conversar um pouco com você? - Perguntou Adam meio sem jeito.
- Claro! Senti desde ontem que você queria conversar comigo. - Afirmou Vitor olhando diretamente nos olhos de Adam. - É sobre o livro não é mesmo?
- Sim. - Respondeu Adam envergonhado.
- Fique a vontade e pergunte o que quiser.
- Pode parecer invenção de minha parte, mas vem acontecendo algumas coisas esquisitas comigo. Eu não sei explicar direito, mas acho que tudo isso tem alguma relação com esse livro. - Desabafou Adam.
- Coisas esquisitas? Como o quê?
- Eu vou lhe contar tudo, mas por favor, poderia deixar isso entre a gente? - Pediu Adam cuidadosamente.
- Se você quer assim, não se preocupe, eu sei guardar segredo. - Respondeu Vitor interessado na conversa.

Um pouco aflito, Adam conta tudo que lhe aconteceu de anormal desde o princípio para Vitor, no começo achando que ele não iria acreditar, mas para sua surpresa, ele acreditou em tudo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ás de Ouros - Capítulo 5 [5]

Naldo não queria acreditar no que estava vendo. Mesmo estando sob o efeito do álcool, ele conseguiu identificar a cabeça de seu pai sobre a mesa do escritório. E ele tinha certeza que o seu pai estava olhando diretamente para ele.

Após vomitar, a única reação foi gritar.

– NÃÃÃÃOOO!!!

Todos os agentes que estavam no escritório olhavam assustados para ele.

Dois policiais entraram correndo e o agarraram. Naldo começou a se agitar para se desvincilhar deles.

Os policiais já o arrastavam para fora do escritório quando Carlos estendeu a mão sinalizando para eles pararem.

– Devagar! Devagar! – dizia Carlos se aproximando dos policiais. ­– Deixem que eu cuido dele.

Carlos segurou uma mão de Naldo e o abraçou pelos ombros com a outra mão, conduzindo-o para fora do escritório. Naldo estava debrulhando em lágrimas e não tentou se soltar dos braços de agente, mas, com a força de Carlos, ele não conseguiria nem se tentasse.

Os dois policiais seguiram Carlos enquanto ele conduzia Naldo até um sofá na sala, ainda chorando muito.

– Você ­– Carlos apontava para o policial mais jovem. – Traga um copo d’água.

O policial partiu em disparada na direção da cozinha.

Carlos agora estava abaixado de frente para Naldo e o segurando pelos ombros.

– Primeiro – começou Carlos, tentando falar da maneira mais calma possível. – Qual o seu nome, meu jovem?

Naldo soluçava. As letras quase não saiam de sua boca.

­– Rei-ic-Naldo.

– Ok. E Otávio Gusmão era o seu pai, certo?

Naldo confirmou com a cabeça.

– Minha equipe já ligou para o seu tio Olavo e ele estará aqui a qualquer minuto. Enquanto isso, eu vou ficar aqui com você, ok?

O jovem policial chegou com o copo de água. Carlos pegou o copo e entregou a Naldo.

– Podem deixar comigo. Vejam se precisam de vocês lá na frente – disse Carlos aos policiais.

Os policias se entreolharam. Era claro que eles queriam ficar e ajudar no que fosse possível.

Carlos sinalizou cabeça para que saíssem. E eles saíram ainda relutantes.

Com a sala vazia, Carlos voltou a sua atenção a Naldo. Só agora ele sentiu o cheiro de álcool vindo do garoto. Carlos identificou a embriaguez de Naldo como uma oportunidade de extrair informações mais sinceras.

– Reinaldo, como você, infelizmente, pôde ver, seu pai foi assassinado. Nós ainda não sabemos quem fez isso ou o porquê, mas estamos em busca de pistas e trabalhando em cima disso. Você tem alguma informação que possa nos ajudar?

Os únicos pensamentos na cabeça de Naldo eram a imagem da cabeça decepada de seu pai na mesa e o encarando. Ele nem processou as palavras de Carlos.

– Reinaldo, por favor, tente me ajudar!

Naldo não fazia outra coisa além de chorar.

– Você sabia se seu pai estava envolvido em alguma negociação grande nos últimos dias, se tinha inimigos ou se sofria ameaças?

– Meu pai era a-ic melhor pes-ic-soa do mundo! – respondeu Naldo quase gritando.

– E eu não duvido de você – apressou-se Carlos. – Mas mesmo as melhores pessoas acabam despertando a inveja e o ódio nos demais.

Carlos agora estava abaixado de frente para Naldo e falando bem próximo ao rosto dele, para fixar a sua atenção.

– Você ouvia algum movimento estranho ao redor da casa nos últimos dias, como se alguém os espionassem?

Naldo negava com a cabeça.

– Seu pai vinha sofrendo ameaças ultimamente? Ele já tentou esconder algo de você quando você entrava no escritório?

– Ele não me dei-ic-xava entrar no escritório.

– Por que?

– Porque é onde ele trabalhava.

Carlos sabia que não conseguiria ficar com Naldo sozinho por mais tempo. Respirou fundo e tentou ser mais direto.

– Você já ouviu falar no Ás de Ouros?

Naldo estranhou a pergunta. Ele ficou parado encarando Carlos, sem responder.

– Seu pai alguma vez falou com você sobre o Ás de Ouros? – insistiu Carlos, apertando os ombros de Naldo.

– Não sei do que você está falando...

O garoto deu um gole grande na água. Carlos estava ficando impaciente. Ele sabia que não tinha muito mais tempo.

– Por favor, garoto, eu preciso dessa informação!

– Naldinho, querido!

Uma mulher entrou na sala e correu em direção a Naldo. Carlos apenas levantou e deu um passo para trás.

O homem que a acompanhava era praticamente uma cópia mais nova de Otávio. Carlos logo deduziu que esse seria Olavo, irmão da vítima.

– Senhor Olavo Gusmão? Eu sou o Agente Carlos Almeida – Carlos estendeu a mão para Olavo. – Sou o chefe dessa investigação. Sinto pela sua perda. Eu e minha equipe faremos o possível para identificar o assassino.

– Muito obrigado – agradeceu Carlos e em seguida se dirigiu a mulher. – Helen, querida, vá pegar algumas roupas limpas para Naldinho.

Helen parecia não querer largar o garoto, que agora chorava em seus ombros. Ela foi se afastando dele bem devagar.

– Eu recomendo que você não veja a cena do crime. Chamarei alguém de minha equipe para ficar com vocês e lhe passarem algumas informações.

Olavo acenou com a cabeça e sentou-se ao lado de Naldo.

Carlos ficou parado olhando para eles por um instante e voltou para o escritório a passos lentos.

...

– Droga de vômito fedorento!

Luís Fernando estava debruçado em uma pia no kioski no fundo da casa. Seu celular apitou em seu bolso indicando que uma mensagem havia chegado. Ele ficou agitado procurando algum lugar para secar as mãos. Não achou e acabou esfregando as mãos em sua calça jeans.

Ele pegou o celular e leu a mensagem:

O jogo já começou.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Distorção - Contato [5:1]

No final da tarde, quando chegaram à fazenda, Adam e sua família foram recebidos com a maior festividade, afinal, não era todo dia que tantos familiares estavam juntos.

- Adam querido, que saudade! - Exclamou Vânia ao ver o sobrinho.
- Oi tia Vânia! E o pessoal do Rio já chegou? - Perguntou Adam ansioso.
- Já chegaram sim! Eles estão lá do outro lado. - Afirmou Vânia indicando a direção com a mão.
- Adam, eu vou tomar um banho. - Disse Vanessa já próxima ao banheiro.
- Ok. - Respondeu Adam sorrindo para a tia.
- Vocês estão juntos de novo? - Perguntou Vânia surpresa.

Adam acenou positivamente com a cabeça e foi ao encontro dos seus primos. Ao chegar próximo a eles, Adam viu uma pessoa que não conhecia conversando com eles.

- Adam! E aí cara, só assim pra gente se ver! - Exclamou Maurício.
- E aí Maurício! E aí Rodrigo! - Cumprimentou Adam aos seus primos.
- Olha Adam, esse aqui é o nosso amigo Vitor. Ele é arqueólogo, historiador, decifrador, poliglota, cientista... - Falou Rodrigo empolgado.
- Calma, não é pra tanto. - Respondeu Vitor envergonhado.
- Oi. - Afirmou Adam meio sem jeito.
- Você já ouviu falar de um caso sobre um livro chamado “Distorção”? - Perguntou Maurício para seu primo.
- Acho que sim. - Respondeu Adam surpreso.
- Pois saiba que o Vitor atualmente está trabalhando com um pessoal que está estudando e decifrando o livro aqui na sua cidade. - Explicou Maurício.
- Ele estava trabalhando lá no Rio, mas parece que os estudos serão agora aqui na Bahia. - Completou Rodrigo.
- Mas o livro não tinha desaparecido há alguns anos atrás? - Perguntou Adam ainda surpreso com o que estava acontecendo.
- Olha Adam, existem muitas coisas que não são divulgadas na mídia e outras que são manipuladas. A questão é que até hoje esse livro tem muito para contar, sem falar nos assassinatos e outros casos misteriosos que rondam ele. - Explicou Vitor com um tom mais sério na voz.
- Pessoal vamos comer! É hora da lasanha especial da Vânia. - Gritou Jorge de longe.
- Depois a gente continua a conversa. - Afirmou Vitor.

Adam sempre soube que seus primos tinham amigos bem resolvidos e influentes na sociedade, mas nunca imaginou que eles conheciam alguém ligado ao caso que tanto lhe incomodava recentemente. Seus primos já eram bem mais velhos que ele e até já tinham família, mas nunca deixaram de ser brincalhões. Adam sempre foi muito próximo a eles, mesmo morando longe. Os amigos deles sempre acabavam se tornando seus amigos também. Talvez, ter conhecido Vitor, fosse a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido recentemente, já que não sabia por onde começar a resolver o que estava lhe incomodando.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ás de Ouros - Capítulo 4 [4]

– Que merda é essa?

Carlos ainda estava parado na entrada do escritório.

Silvia largou a máquina fotográfica, que estava pendendo em seu pescoço pela alça, e ficou boquiaberta.

– Isso parece cena de um filme ou... – ela levou alguns segundos para completar a frase. – um ritual macabro.

Edson passou pelos dois e foi adentrando no escritório, como se quisesse ser o centro das atenções.

– Impressionante, não? – Edson falava com os braços esticados, parecendo que acabara de revelar uma supresa para Carlos e Silvia. – Eu também reagi mais ou menos como vocês quando vi. ­– e agora se dirigia a Silvia. – Nossa, santa-mãe-da-cabeça-raspada? De cara, essa já é uma das minhas favoritas!

– Oh, vocês chegaram!

Carlos não havia percebido que Marcone também estava presente no escritório, ao fundo, vasculhando a estante de livros. Marcone é um investigador de 38 anos, baixo e que gosta de usar cavanhaque e uma característica costeleta quadrada. Ele era bastante amigável, apesar de ser uma pessoa de poucas risadas.

Ele apenas acenou para Carlos, que ainda estava impressionado com a cena que via. E a cena era realmente impressionante.

O corpo de Otávio estava sentado na cadeira à sua mesa de trabalho, mas ele estava sem a cabeça. O suéter marrom que ele usava estava coberto de sangue. Uma katana estava enfiado em seu peito, atravessando o seu toráx na região do coração e perfurando o encosto cadeira. Dois sais foram estocados um em cada mão, como se o prendesse ao braço da cadeira. A cabeça estava repousada sobre a mesa e com os olhos abertos. O sangue que saia da cabeça cortada escorria pela mesa e pingava o chão, onde já havia uma pequena poça de sangue.

Mesmo com todos os seus anos de experiência como investigador, Carlos ainda se espantava ao ver cenas de crimes tão brutais como essa. Ele foi andando devagar e se aproximando do lugar onde estava o corpo de Otávio.

– Esse corte foi perfeito – e Carlos ia se aproximando mais do corpo. – Uma única espadada.

– O assassino deve ser uma pessoa bem forte para conseguir esse feito – dizia Silvia, agora se aproximando e tirando algumas fotos.

– Vocês ainda não viram a cena do crime como um todo – disse Edson, estranhamente empolgado.

Ele apontou para a parede em que havia uma coleção de espadas japonesas e um armário de trófeus.

Carlos e Silvia olharam para a parede, mas voltaram a olhar para Edson com estranheza porque eles tinham certeza de que ele não queria os dois admirassem os troféus que Otávio havia conquistado ou algum sabre em especial.

Com um ar de quem já esperava por aquilo, Edson girou o indicador, apontando para um espaço na parede ao lado do armário com uma roupa de esgrima.

– E a coisa consegue ficar pior!

Silvia se aproximou do parede com a máquina fotográfica na frente do seu rosto e já batendo fotos. Carlos mal pode ver o que tinha na parede, mas notou uma katana enfiada no chão e com sangue seco na lâmina.

Ao se aproximar, ele conseguiu perceber que em uma parte de madeira da parede havia sangue... letras escritas com sangue.

Quando Silvia se afastou dali para fotografar as espdas que faltavam na parede, e ainda exclamando o quão impressionante era aquilo, Carlos conseguiu enfim ler o que havia escrito.

ELE É O ÁS DE OUROS

EU QUERO O ÁS DE OUROS

As letras estavam cravadas na parede e era visível que a mensagem havia sido escrita com a ponta da espada, provavelmente logo após a cabeça de Otávio ter sido cortada.

– Não faz o menor sentido, não é? – disse Edson logo atrás de Carlos.

Carlos mal teve tempo de responder e Edson já continuou falando.

– Mas eu até que estou gostando desse assassino. Ele é inteligente e está querendo brincar com a gente.

Silvia olhava para Edson com censura.

– Eu sei que você é meio estranho, mas a sua empolgação com esse caso está começando a me assustar.

– Ah, qual é, Silvinha, vai me dizer que um caso como esse não é empolgante? É bom sair da rotina com aqueles casos de sempre – e agora Edson falava e usava as mãos como se descrevesse um relatório. – Corpo encontrado no lixo. Assassino: um traficante do bairro quitando uma dívida. Mulher encontrada morta próxima de casa. Assassino: marido corno – e a empolgação voltava. – Um caso como esse requer maior atenção e ainda tem um jogo de mentes entre polícia e assassino. Casos como esse, que a gente só vê em filmes, foi que me fizeram ser um agente investigador.

– Eu concordo com Edson – disse Carlos ainda olhando para a escrita na parede.

– Concorda? – espantou-se Silvia.

­– Esse caso vai ser bem interessante – Carlos completou.

Pela cara de espanto, nem Edson esperava ouvir isso vindo de Carlos.

Os três não tiveram tempo de prolongar a discursão, pois nesse exato momento eles ouviram uma gritaria do lado de fora da mansão e segundos depois um jovem entrava correndo no escritório.

O jovem parou. Olhou para o corpo sem cabeça. E vomitou.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Lacius - Dentro do livro [6:1]

A diretora Lorena não era uma pessoa crédula. Apesar de presenciar o acontecimento, não podia acreditar no que viu. Não havia nada que pudesse causar aquele fogo e, mesmo assim, o papel havia entrado em combustão. Uma dúvida persistia na cabeça de Lorena. Ou os três garotos estavam interpretando muito bem, ou realmente eles não faziam idéia do que estava acontecendo.

Após voltar a perceber a situação na sala, tentou acalmar a garota sentada na cadeira, chorando aos berros. 

- Calma, querida. Está tudo bem. Você não se machucou - falou a diretora, segurando-a pela mão e analisando-a, sem encontrar ferimento algum.

Após acalmar Jaqueline, Lorena chamou a enfermeira para verificar se realmente estava tudo bem com a menina. Retirando a suspensão dos três, a diretora os aconselhou ir para casa, visto que a última aula já havia transcorrido mais que a metade. 

- Podem ir agora. Solicitarei uma investigação sobre o ocorrido. Estarei de olho em vocês. - diz Lorena, finalizando a conversa.

. . .

Lúcio e Esteves acompanharam Jaqueline até a casa dela. Entraram e ficaram aguardando-a tomar banho. Enquanto isso, os dois sentaram-se no sofá e comeram um lanchinho que a mãe de Jaqui havia preparado.

O vapor d'água tomava todo o banheiro, embarçando os espelhos e o vidro do box. A chave posicionada no estado "Desligado" fazia a água do chuveiro cair em temperatura ambiente. As gotas, porém, ao tocarem o ardente corpo da garota, viravam instantâneamente fumaça e desapareciam no ar.

Na sala de estar, copos vazios estavam em cima da mesinha de centro da sala. Uma mochila fora aberta e os dois garotos agora estavam debruçados sobre o livro de páginas negras.

- Eu não havia te falado... - disse Esteves a Lúcio que passava o olho rapidamente pelas páginas do livro - Está escrito em outra língua.
- Não, meu caro. Não está. - retrucou Lúcio, rindo consigo mesmo - Estou conseguindo ler claramente.
- Do que está falando? Estes símbolos não fazem sentido. Parecem estar codificados.

Enquanto Lúcio folheava o livro, passando os olhos rapidamente, várias vezes seguidas, nas páginas, Jaqueline saía do banheiro com a toalha amarrada no cabelo. Ela parecia outra pessoa após o banho. Parecia ter lavado a alma. Após se arrumar rapidamente, desceu ao encontro dos outros dois.

Os dois amigos estavam discutindo algo sobre magia na hora em que ela apareceu na sala. Não foi preciso falar nada, assim que Lúcio a avistou, ele levantou e foi correndo abraçá-la.

- Você está bem, paixão? - perguntou ele, apertando-a com cuidado e sussurando ao ouvido dela.
- Estou melhor do que nunca, meu amor - e, dizendo isto, o olhou nos olhos e o beijou calorosamente.

Esteves, vendo aquela cena romântica, pensou se deveria interromper. Não aguentando aquela situação por um minuto, ele decidiu fazê-lo.

- Bom, pessoal, podemos voltar ao trabalho aqui? - Perguntou ele, tentando fazer os dois se desgrudarem.
- Trabalho? Que trabalho? - questionou Jaqueline, descolando os lábios dos de Lúcio.
- Amor, você não acredita... - os olhos de Lúcio brilharam neste momento - Esteves conseguiu abrir o livro.
- Não foi bem assim - retificou Esteves - Quando você o soltou lá no pátio, ele já estava aberto.
- E sobre o que é o livro? - perguntou Jaqui, ansiosa.
- O livro é muito extenso, fala sobre muitas coisas. Terminei de ler o primeiro capítulo. Parece ser um livro de magia. O mais interessante é que Esteves não consegue lê-lo.

Jaqueline pegou o livro das mãos de Esteves e começou a folheá-lo.

- É... Parece que isto aqui está escrito em outra língua. - disse ela, devolvendo o livro ao amigo.

Os três então sentaram ao redor do livro e Lúcio começou a contar-lhes tudo o que havia lido. Falou sobre como o mundo surgiu e como os seres coexistiam neste mundo. Falou também sobre uma separação entre os povos e sobre as mudanças que ocorreram nesta primeira era.

Lúcio ia contando dos detalhes da história e os dois ouvintes pareciam estar viajando nas palavras que ele falava. Parece que nem repararam na hora em que Lúcio pegou o livro e começou a ler de onde havia parado.

- "... e os guardiões do código ficaram responsáveis por selarem o acordo."

sexta-feira, 4 de março de 2011

Distorção - Acontecimentos inesperados [4:3]

Rapidamente Adam saiu da janela. Será que aquele cara o seguiu até sua casa? O que ele queria afinal? Quando olhou novamente, viu seu pai guardando as mochilas no carro. O homem misterioso não estava mais ali. Tomou banho e desceu rapidamente junto com sua mãe que estava ansiosa para rever sua irmã Vânia. Passaram na casa de Vanessa e finalmente viajaram.

Enquanto Jorge dirigia e conversava com Marta nos bancos da frente, Adam pôde ficar com Vanessa no banco de trás. Aproveitaram o momento para conversar sobre muitas coisas que ambos gostavam e para ficarem juntos.

- Como está indo a faculdade? - Perguntou Vanessa pegando na mão de Adam.
- Está indo bem. Lá é muito legal. - Respondeu Adam com um sorriso meio forçado ao lembrar das duas sextas e da prova fácil que perdeu.

De repente Jorge freia o carro bruscamente.

- O que foi querido? - Pergunta Marta assustada.
- Tem alguma coisa no meio da pista. - Responde Jorge preocupado.
- Pai, desvia e vamos logo. - Respondeu Adam com certo receio.
- Adam tem razão querido, não é seguro parar no meio da estrada.
- Tem uma luz esquisita dentro dos matagais. - Afirmou Vanessa olhando pelo vidro do carro. - O que será que tem lá dentro?
- Dá pra acelerar o carro pai?! - Gritou Adam nervoso.
- Não grite com seu pai Adam. - Replicou Marta com um tom incisivo na voz.
- Qual o problema Adam? Perdeu o respeito moleque? - Perguntou Jorge abrindo a porta do carro.
- Mãe, vamos sair daqui! - Exclamou Adam.
- Adam eu estou com medo. - Afirmou Vanessa preocupada com a luz estranha.
- Era um cachorro morto. - Falou Jorge voltando para dentro do carro.
- Coitadinho. - Respondeu Marta com pena do animal.
- Vamos. - Falou Jorge ligando o carro.
- O que será que era aquela luz no mato? - Perguntou Vanessa curiosa.
- Quer ir lá ver? - Perguntou Jorge com um tom irônico.
- Não, obrigado. - Respondeu Vanessa.
- Vocês são muito medrosos mesmo. Estamos no meio da tarde e estão morrendo de medo de uma estrada que não tem nada. Se ainda fosse de noite, até poderia entender. - Falou Jorge sorrindo. - Você está assistindo filmes de terror demais viu Adam! - Continuou ele.

Adam ignorou a brincadeira do pai e abraçou Vanessa. Sabia que misteriosamente coisas estavam acontecendo com ele e sentia que todas estavam interligadas. Não quis comentar, mas quando o carro estava parado, teve a impressão de ter visto alguém no mato. Não tinha certeza realmente se era uma pessoa, poderia ser até algum animal, mas levando em consideração os últimos acontecimentos, poderia ser o misterioso homem da fenda celeste.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Arqueiro - Fazenda Farmship [4:1]

Enfim, depois de caminharem um pouco, os Farmship chegam até sua fazenda, com seu novo hóspede.

John Farmship - Enfim, chegamos! Pode deixar o seu cavalo no nosso pequeno estábulo.

Ludwell -Obrigado.

Então, o forasteiro leva seu cavalo até o estábulo, onde o deixa com todo o zelo que não um dono, mas um amigo o deixaria.

Ludwell - Fique tranqüilo garoto. Amanhã nos veremos de novo e partiremos para seguir nossa jornada.

Nesse momento, aparece Anne Marrie na porta do estábulo. Estava observando desde quando Ludwell entrou, mas resolveu se pronunciar depois.

Anne Marrie - Nossa... que cuidado hein...

Ludwell - Eu trato bem os meus amigos.

Anne Marrie - Mamãe e Papai estão esperando... vamos?

Ludwell - Sim.

E então, os dois saem do estábulo e adentram a residência dos Farmship. John e Anne Marrie aproveitam para apresentar Jonas, o caçula dos Farmship. Todos ficam na sala esperando o jantar, até que Dora aparece.

Dora Farmship - O jantar está pronto! Venham!

Todos se dirigem a cozinha e se sentam ao redor da mesa.

John Farmship - Forasteiro, nós temos aqui o costume de orar antes das refeições. Revezamos por dia quem diz as palavras na mesa. Porém quando temos um visitante, deixamos que ele tome a honra. Você se importa?

Ludwell - Está bem.

Após Ludwell citar a oração e todos acompanharem, eles começam a jantar. Ludwell surpreende os Farmship ao repetir o prato 4 vezes.

John Farmship - Estava mesmo com fome, hein filho?

Ludwell - Estava. E a comida estava deliciosa. Obrigado Sra. Farmship.

Dora Farmship - Não há de que.

John Farmship - Anne Marrie, mostre ao nosso hóspede os seus aposentos.

Anne Marrie - Vamos lá, homem-lontra...

Dora Farmship - Olhe os modos, mocinha...

Então, Ledwell segue Anne Marrie até o quarto de hóspedes, onde se prepara para descansar da viagem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ás de Ouros - Capítulo 3 [3]

Naldo estava no banco de trás de um táxi com o seu primo Lucas e seu amigo Eduardo. Os três não paravam de cantar músicas que nem eles sabiam que conheciam. Naldo sentia que a Terra parecia girar ao seu redor. Ele estava embriagado. Lucas e Eduardo também.

Os três estavam rindo muito.

– Tem aquela música de Raul também!

Lucas começou a cantar uma música de Raul Seixas, mas ria ao mesmo tempo.

O taxista já estava acostumado a levar passageiros embriagados e a algazarra que eles faziam, mas ele sempre ficava preocupado com a possibilidade de vomitarem em seu carro. Ainda mais que Eduardo parecia não estar tão bem.

– Caramba, eu acho que aquela batata frita não caiu legal – dizia Eduardo alisando a barriga.

– Por favor, se quiser vomitar me avise que eu encosto o carro – o taxista tentava enxergar o rosto de Eduardo pelo retrovisor interno.

Lucas e Naldo gargalhavam.

Naldo era o mais tímido dos três, mas a situação se invertia quando ele bebia de mais. Naldo não costumava se embebedar. Na verdade, essa era apenas a terceira vez em que ele exagerava na bebida, mas foi por uma ocasião especial: comemorar a aprovação de Eduardo no vestibular. Entretanto, Naldo não havia comemorado com a mesma empolgação a sua aprovação no vestibular para o curso de Administração na faculdade pública mais concorrida da cidade. Todos sabiam que Naldo queria prestar vestibular para Engenharia Elétrica, mas seu pai jamais permitiria e praticamente o obrigou a cursar Administração para gerenciar o patrimônio da família. Naldo jamais teve coragem de contrariar o seu pai. Vendo a felicidade de Eduardo, ele pensou se já não era a hora de seguir o seu sonho ao invés de atender as expectativas de seu pai. Era algo que ele pretendia considerar quando estivesse em sã consciência, o que definitivamente não seria nessa noite.

A primeira parada foi na casa de Eduardo, que desceu do carro aos tropeços. Ele se virou para se despedir dos amigos, mas correu na direção de um canteiro de flores na mesma hora e vomitou. Olhou para os dois lados para conferir se alguém havia o visto vomitando nas flores e soltou uma gargalhada.

– Eu quero ver aquelas senhoras cheirando essas flores amanhã!

O taxista ficou grato por ele ter vomitado nas flores e não no carro.

O caminho até a casa de Naldo, onde Lucas também passaria a noite, era mais curto. Os dois cantavam menos agora e ficavam se gabando sobre quem havia ficado com a garota mais bonita do bar. Não chegaram a um consenso.

Ao se aproximarem da entrada do Condomínio Residencial Royal eles ficaram assustados.

Havia carros da imprensa e da polícia na frente do condomínio. Era praticamente impossível passar.

– É Reinaldo Gusmão ali no táxi – gritou uma jornalista.

De repente, um corredor de pessoas se fez e todos os jornalistas viraram para o taxi em que Naldo e Lucas estavam.

Os dois não entenderam o que estava acontecendo, mas começaram a ficar mais sérios agora. Naldo tentava cobrir o rosto, pois os flashes das câmeras pareciam refletores apontados em sua direação

Um policial se aproximou do táxi, acenando com a mão e tentando afastar os jornalistas.

– Leve-os para dentro!

Todos estavam com cara de espanto.

– O que será que está acontecendo aqui? ­– a voz de Lucas quase não saia.

O caminho até a casa de Naldo foi silencioso. Ele notou que algumas moradoras do condomínio se abaixavam para olhar quem estava no táxi e em seguida colocavam a mão na boca em choque.

Mal o taxista parou o táxi e Naldo saltou do carro ao notar as luzes dos carros da polícia parados em frente a sua casa.

Ele correu cambaleando em direção a sua casa, mas foi segurado por uns policiais ainda na entrada.

– Você não pode entrar aí!

Naldo tentava se soltar dos policias.

– Eu preciso ver meus pais! Preciso ver se eles estão bem!

Luís Fernando estava isolado em um canto fumando. Ao ouvir a recente agitação, ele jogou o cigarro no chão e foi ver o que estava acontecendo.

Naldo estava se agitando e gritando para tentar se desvencilhar dos braços dos dois policiais que o seguravam.

– Por favor, garoto, fique calmo – Luís Fernando tentava controlar Naldo, segurando os seus ombros.

­– O que está acontecendo aqui? Aconteceu algo com os meus tios? – disse Lucas, que acabara de chegar.

Os policiais se entreolharam.

Lucas começou a se contorcer e então lançou um jato de vômito que acertou Luís Fernando diretamente e respingou nos policiais. Nesse momento, os policiais se descuidaram e acabaram soltando Naldo, que correu em disparada para a casa. Lucas desmaiou e foi segurado por um dos policiais, o outro correu atrás de Naldo. Luís Fernando não teve reação a não ser olhar para a sua roupa ensopada de vômito.

– Segurem o garoto – gritou o policial para outro que acabara de aparecer na porta da casa.

O policial que estava saindo da casa não teve tempo de reagir. Naldo parecia ter recuperado os sentidos. Parecia estar correndo mais rápido agora. Empurrou o policial e entrou na casa.

Agindo por instinto, ele correu para o escritório e ao entrar ele parou assustado sem acreditar no que estava vendo.

Foi a sua vez de vomitar.